quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Os Esquizitóides - Parte II - O Cachorro

Quando saiu de casa naquele dia avistou um cachorro na rua. Quase sem pelos, se coçando todo e com sua pele cheia de carrapatos e um cheiro fétido se espalhando no ambiente. As pessoas passavam em volta e nem notavam. O cachorro se levantou e lançou um olhar para Dimitri. Ficou um bom tempo parado, olhando, como se esperasse alguma resposta. Depois voltou e se sentou em frente a uma casa. As pessoas continuavam passando, indo e voltando do seu trabalho e o cachorro continuava lá, com sintomas claros de calazar. Dimitri entrou para dormir.
No outro dia, logo cedo, a cena se repetiu. Uma garotinha saia de casa com seu uniforme branco, alvo como a neve, seu sorriso lindo e perfeito, um rostinho fofo e belo, parecendo um anjo de pureza e inocência, esperando o seu pai, um alto executivo do banco do Brasil, tirar o carro da garagem. A sua mãe aguardava na porta, igualmente arrumada, com seus belos cabelos loiros, com mexas alisadas e tratadas num dos salões de beleza mais caros da cidade.
O pai da menina teve que enxotar o cachorro dali, bastando um apito pra que aquele moribundo se arrastasse com muita dificuldade e tirasse as suas chagas daquele local.
Dimitri presenciou toda a cena, calculando os prós e os contras e com absoluta frieza.
Num átimo de segundo retirou o revólver da bolsa e atirou à queima roupa no cérebro daquele animal. O sangue espichou pela parede e chegou a respingar na bolsa daquela menininha fofa e manchar o carro do seu pai.
Dimitri apenas se retirou do local.

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