Ele chegou na sala para mais um dia de aula. Ela estava ali do seu lado, linda como sempre. Tudo estava certo, exceto o fato de que ele não poderia mais dirigir-lhe a palavra como antes. Havia dito que gostava dela e não tinha mais como voltar atrás. Ela era bonita pra ele, mas não era a mais bonita da sala. O simples fato daquela garota rejeitá-lo o tornava um eterno apaixonado, escravo dos seus desejos e na eterna espera que ela correspondesse a um olhar ou lhe dirigisse a palavra.
As coisas eram mais simples para os belos, bem dotados, ricos. Quem não tem nehum desses dons precisaria correr atrás de alguma compensação. Fosse qual fosse. Ele nunca havia parado para pensar nisso, agora com o peso da idade as suas conquistas traziam uma triste realidade à sua frente: a melhor época da sua vida havia passado e não importava o quanto ele corresse agora, aquele vigor, aquela força revovada dos dias passados não voltariam.
Ao mesmo tempo surgia uma nova situação: a experiência de quem se recusou a aprender, o conhecimento de quem sempre se permitiu criticar e surpeender; a tristeza ao ser enganado pela milésima vez, o desgosto ao ver que ainda tem uma enorme vontade de viver, um fogo ardendo dentro de si mas, ao mesmo tempo, se sente tão preso, tão limitado por si mesmo e pelos outros.
últimamente cismara com a colocação dos pontos e das vírgulas. Assim como tinha dificuldade em aceitar a realidade, porque uma vírgula e um ponto teriam que seguir um padrão fixo, sujeito a regras rígidas? Se a linguagem é viva e se renova como a vida, porque as vírgulas e os pontos limitariam isso?
Um texto sem vírgulas nem pontos seria como a vida numa eterna enxurrada de acontecimentos que se seguem amontoando-se e encurralando todos em volta sem deixar a menor opção a menor escolha diga-se o que disser a cultura é uma das armas que a elite utiliza para marginalizar os pobres assim como tantas outras existentes num festival de desperdício que separa o rico do pobre e o pobre das minorias do mundo como tantos rock in rios que colocam artistas vips em camarotes exclusivos com comidas bebidas e visão privilegiada para o palco ao lado de milhares de menos favorecidos que são espremidos e esmagados pelos seus ídolos a arte também sendo usada na eterna segregação sem vírgula sem ponto sem dó nem piedade numa contínua jornada onde o senhor e o servo se confraternizam onde o explorador e o explorado se divertem lado ao lado e esquecem-se que existe uma enorme barreira entre eles e que ela não serve apenas para mostrar qual o lugar de um e o do outro mas também que nem as melhores coisas do mundo como a arte seja através da cultura musical ou literária podem mudar aquilo que os senhores de mundo criaram a ordem que eles pretendem manter sem ponto nem vírgula os medinas desse mundo nos colocam o pão e o circo em troca de uma obediência acomodação e alienação generalizadas
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
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3 comentários:
adorei o texto!
as vírgulas também não deixam de ser um símbolo da opressão cotidiana a que somos submetidos ;|
ano que vem é eleição e de novo o povo vai votar "no bem" e em alguém para o salvar, de si próprio. a eleição de alguém, a ilusão de que algo vai mudar...
vamos tomar uma?
inclusive sua foto de perfil é ótema ;}
saca meu brog.
http://dimorf.blogspot.com/
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